Plano de Carreira: guia completo para aprender a criar o seu


Elisângela Dias
Elisângela Dias
Gestora de Recursos Humanos

Um plano de carreira é uma forma estruturada de pensar e planejar a sua vida profissional. Quem já imaginou como vai estar profissionalmente no futuro já deu o primeiro passo para iniciar o seu plano de carreira.

Algumas empresas possuem um plano de carreira que é oferecido para os colaboradores, mas a tendência atual é de que o profissional não permaneça muito tempo na mesma empresa. Isso aumenta exponencialmente a importância da elaboração de um plano de carreira individual.

Como criar o seu plano de carreira?

Essencialmente, o autoconhecimento é o que define o sucesso na criação de um bom plano de carreira. Com pouco autoconhecimento podemos nos seduzir por posições nada adequadas para o seu perfil de personalidade, por exemplo.

A seguir listamos os 5 passos para ser bem sucedido na criação do seu plano de carreira.

1. Conheça bem os seus valores

Comece por mapear quais são os 3 principais valores que você considera importantes e que servem de guia para a sua vida. De nada adianta se imaginar ocupando posições profissionais que possam ser apelativas se elas não estiverem alinhadas com seus valores.

Como exemplo de valores podemos listar: Abundância, Autocontrole, Bondade, Bravura, Caridade, Celebridade, Dignidade, Dinamismo, Entusiasmo, Equilíbrio, Força, Flexibilidade, Generosidade, Honra, Humildade, Imaginação, Independência, Justiça, Lealdade, Meticulosidade, Ousadia, Paixão, Resistência, Segurança e Tranquilidade.

Procure marcar aqueles valores que tiverem maior ressonância. Sinta-se livre para incluir na lista outros valores que façam mais sentido para você.

2. Faça uma lista das suas principais competências

As suas principais competências são o conjunto comportamentos, habilidades e conhecimentos que você utiliza como profissional para ser bem sucedido. Elas podem ser competências técnicas ou comportamentais.

As competências técnicas são aquelas adquiridas por meios de cursos, treinamentos, livros, workshops, palestras etc. Estas são as competências necessárias para que o profissional execute suas funções de forma satisfatória. Além disso, procurar se manter atualizado é o mínimo que se espera dentro deste contexto.

As competências comportamentais são aquelas adquiridas pela vivência da pessoa. De acordo com o nível de autoconhecimento do indivíduo, ele pode ter desenvolvido uma ou outra competência. Através do autoconhecimento também é possível que ele tome consciência dos seus pontos fracos.

Apesar da elevada importância das competências técnicas para garantir a posição do profissional dentro da empresa, muitas vezes são através das competências comportamentais que se conquistam promoções e são possíveis saltos na carreira.

Como exemplos de competências comportamentais podemos destacar:

  • Empatia
  • Inteligência emocional
  • Proatividade
  • Automotivação
  • Confiança
  • Comunicação
  • Criatividade
  • Flexibilidade
  • Resiliência
  • Bom humor

Analise as competências que você já possui. Pesquise por outras competências comportamentais que possam ser adicionadas à lista.

Avalie também quais são as competências em que você tem maior dificuldade que seriam relevantes para o seu plano de carreira. Esta lista servirá de guia para o que você deve desenvolver daqui para frente.

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3. Descubra o seu estilo de liderança

Mesmo que você nunca tenha ocupado um cargo de liderança, é comum que com o passar do tempo e o aumento da sua experiência, as posições de liderança se tornem opções viáveis. Portanto é importante que você conheça desde já aspectos de sua personalidade que podem viabilizar um determinado tipo de liderança.

Colaborador

Você leva em conta as necessidades da equipe em primeiro lugar. Tem gosto por apoiar e desenvolver os integrantes e costuma compartilhar o crédito dos objetivos alcançados. Suas características mais marcantes são a empatia, a solidariedade e a generosidade. Seu ponto fraco está na dificuldade de se posicionar diante de questões conflituosas.

Precavido

Você é um líder que gosta de aprofundar sua experiência antes de tomar decisões. Sua felicidade ocorre quando possui tempo e espaço para ponderar a respeito das situações e assim conseguir prever os cenários negativos agindo sempre com cautela. Seu ponto fraco está em privilegiar argumentos intelectuais e negligenciar indicadores emocionais.

Produtor

Você gosta de trabalhar focado em tarefas e em resultados. Seu pensamento é, na maior parte do tempo, linear. Suas atitudes são baseadas no forte ética de trabalho que valoriza o trabalho duro, a integridade e a consistência. Ao trabalhar com equipes você prefere que os integrantes sigam abordagens comprovadas que funcionam. Seu ponto fraco reside na dificuldade de incorporar novas perspectivas e correr riscos.

Compositor

Você possui grande criatividade e confia na sua intuição, ao mesmo tempo em que é capaz de utilizar o raciocínio lógico. Gosta de estabelecer limites claros em termos de quando e como trabalhar com os outros colaboradores. Apesar de sua boa capacidade de liderança, você ainda prefere trabalhar de maneira independente. Seu ponto fraco está na dificuldade de confiar nos outros colaboradores e nas suas respectivas contribuições.

Energizador

Você possui grande facilidade para criar visões estratégicas. Também é um grande gerador de energia atraindo pessoas ao seu redor. Desta maneira você gera entusiasmo e consegue inspirar os colaboradores a darem o seu melhor em termos de desempenho. Sua forma de liderança é considerada positiva e cooperativa. Seu ponto fraco está na dificuldade em valorizar opiniões diferentes da sua, característica que pode quase passar despercebida por causa do seu alto nível energético.

4. Estabeleça suas metas para o plano de carreira

Procure traçar uma evolução que seria sustentável para sua carreira. Sempre se mantendo alinhado aos seus valores, levando em conta suas competências e mantendo sua atenção nos pontos fortes e fracos do seu estilo de liderança.

Além disso, procure pensar no seu plano de carreira em termos de progressões horizontais e verticais.

Progressão horizontal

Ocorre através de um aumento de salário, sem alteração do cargo. Os critérios variam de uma empresa para outra. A forma mais comum é através de uma avaliação de desempenho periódica.

Progressão vertical

Dependendo da empresa, isso pode ocorrer quando o colaborador realizou cursos relacionados diretamente com a atividade que exerce, que o capacitam a ocupar um cargo de maior responsabilidade. Pode ocorrer também por tempo de serviço ou simples reconhecimento do potencial do colaborador.

Leve em conta que muitas empresas não possuem um plano de carreira estruturado. Por isso é importante que você trace o seu plano de carreira. Assim você saberá o momento de mudar de empresa, caso ela não ofereça oportunidades de crescimento.

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5. Crie projeções para 5 e 10 anos

Por último, integre toda a informação dos passos anteriores em projeções para, no mínimo, 5 e 10 anos. A seguir veja um exemplo.

Exemplo de um plano de carreira para um assistente administrativo

João começou a trabalhar na empresa ABC como assistente administrativo júnior. A responsável pelos recursos humanos apresentou a possibilidade de progressão para assistente administrativo pleno e sênior conforme seu trabalho fosse avaliado a cada seis meses.

Segurança, tranquilidade e equilíbrio estão entre os valores principais que norteiam a vida de João. Ao realizar o seu inventário de competências, ele constatou que a proatividade, a automotivação e a confiança são as suas melhores competências comportamentais. Notou ainda que precisava melhorar a comunicação vencendo sua dificuldade de falar em público.

Além disso, ele identificou o seu estilo de liderança como colaborador. Sendo assim, João elaborou seu plano de carreira da seguinte forma:

Daqui a 5 anos, quando ele tivesse concluído o curso superior em Gestão Financeira, ele deveria ter obtido pelo menos duas progressões horizontais e uma progressão vertical depois de 4 anos, ocupando o cargo de assistente administrativo pleno por 1 ano.

Para a projeção de 10 anos, João planejou que, após concluir o seu curso superior ele estaria cursando uma pós-graduação em Finanças. Ao mesmo tempo, após 6 anos de empresa ele deveria ocupar o cargo de assistente administrativo sênior. Com oito anos de empresa e sua pós-graduação concluída, ele buscaria ser promovido para analista administrativo financeiro.

Ficou claro para João que a cada dois anos ele deveria avaliar se a empresa estava correspondendo com as suas expectativas. Caso contrário, poderia pensar em buscar novos desafios.

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Elisângela Dias
Elisângela Dias
Graduada em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Estácio de Sá em 2004. Pós graduada em Gestão de Projetos pela Universidade Cândido Mendes em 2007.