Síndrome de Burnout: conheça mais a respeito e saiba como evitar


Elisângela Dias
Elisângela Dias
Gestora de Recursos Humanos

A síndrome de burnout é definida pelo psicólogo americano Herbert J. Freudenberger como um espécie de esgotamento profissional, um distúrbio psíquico caracterizado pelo aumento da agressividade, irritabilidade, angústia, depressão, ansiedade entre outros. A palavra burnout, vem do inglês e pode ser definida como queimar completamente.

Resultado de condições de trabalho onde a tensão emocional e psicológica estão presentes de forma constante, a síndrome de burnout pode ser caracterizada como uma reação à esta tensão emocional crônica, decorrente do trato em excesso com pessoas e seus problemas.

Quem pode ter a síndrome de burnout?

Alguns especialistas apontam para áreas mais sensíveis ao burnout, onde o envolvimento interpessoal tende a ser mais profundo. Como por exemplo: bombeiros, policiais, profissionais da área de saúde, assistência social, professores, controlador de voo, agente penitenciário, entre outros.

Mas atualmente, a síndrome de burnout pode se manifestar em qualquer área de atuação, desde que a pessoa se sinta desvalorizada e sobrecarregada por muito tempo, não importa que função exerça.

Quais as principais causas da síndrome de burnout?

Inúmeros cenários podem levar à síndrome de burnout. Ao viverem exclusivamente para o trabalho, os workaholics tendem a ser um grupo mais propenso a desenvolver o distúrbio. Pessoas com o traço de personalidade de perfeccionismo, também entram no grupo dos mais propensos.

  • Problemas de relacionamento interpessoal com colegas, chefes, clientes ou fornecedores
  • Ausência de colaboração entre a equipe de trabalho
  • Falta de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional
  • Inexistência de autonomia para executar suas funções

Quais são os principais sintomas da síndrome do burnout?

Para cada pessoa, a síndrome de burnout pode se manifestar de forma diferente. No geral, o distúrbio se caracteriza por um esgotamento físico e emocional. Além das características já citadas anteriormente, destacamos abaixo alguns dos sintomas mais comuns:

  • Querer alguma coisa sem saber dizer o que é
  • Aumento de atitudes negativas em relação a si mesmo
  • Sensação de carregar o peso do mundo nos ombros
  • Muitas coisas para fazer e pouco tempo para realizar
  • Ausência de vontade de agradar e ser agradado
  • Percepção de que dará muito trabalho o que antes era feito com prazer
  • Sensação de estar perdido num labirinto
  • Desenvolvimento da mentalidade de vítima
  • Baixa tolerância e paciência
  • Explosões de raiva

Entre as manifestações físicas mais frequentes, destacamos:

  • Dores musculares
  • Insônia
  • Pressão alta
  • Enxaqueca
  • Cansaço
  • Palpitação
  • Distúrbios gastrointestinais
  • Alteração do ciclo menstrual
  • Perda ou excesso de apetite
  • Problemas sexuais
  • Distúrbios do sono

Como se realiza o diagnóstico de burnout?

O diagnóstico da síndrome de burnout deve ser realizado por um especialista da área médica, através da avaliação do histórico do paciente.

Christina Maslach, membro do departamento de psicologia da Universidade da Califórnia em Berkeley, criou um questionário chamado Maslach Burnout Inventory (MBI), publicado em um livro que leva o mesmo nome. Seu questionário conta com 22 itens e leva de 10 a 15 minutos para ser respondido. As perguntas avaliam três aspectos da síndrome de burnout:

  • Exaustão emocional - o trabalhador sente que a sua energia chegou ao fim, por causa do contato sistemático com os problemas da sua área
  • Despersonalização - aumento dos sentimentos negativos com relação aos colegas de trabalho
  • Ausência de envolvimento pessoal no trabalho - piora progressiva da execução do trabalho

Questionário que usem a escala Likert também se revelam muito úteis no diagnóstico da síndrome de burnout. A escala Likert verifica o nível de concordância com uma afirmação, tornando mais simples a análise dos resultados.

Qual é o tratamento do burnout?

imagem terapia

O tratamento da síndrome de burnout podem variar de acordo com o tipo de estresse manifestado no paciente. Entre as soluções mais comuns podemos destacar:

  • Psicoterapia
  • Prática de exercícios físicos
  • Exercícios de relaxamento
  • Trabalho voluntário
  • Recreação e hobbies
  • Tempo com a família
  • Hábito de leitura

Alguns estudos apontam para a necessidade de três tipos de intervenções para o tratamento da síndrome de burnout. Uma no contexto individual, outra no contexto organizacional e nas duas combinadas (individual e organizacional).

Como evitar a síndrome de burnout?

Qualquer tipo de ação preventiva para evitar a síndrome de burnout, só irá funcionar quando o problema for entendido como decorrente da relação do indivíduo com a forma de trabalho e a instituição. Quando a responsabilidade pelo problema recai exclusivamente sobre o indivíduo, as ações preventivas são ineficazes.

  • Procure por ajuda profissional - caso sinta que está dando os primeiros passos rumo à síndrome de burnout, procure por um psicólogo.
  • Peça a opinião de colegas - questione outros colegas da equipe sobre como eles se sentem e, principalmente, se você está apresentando alguns dos sintomas.
  • Proponha mudanças no trabalho - se está difícil lidar com as condições de trabalho, converse com seu superior, nunca pense que o problema está só com você.

É um fato que a sociedade moderna está cada vez mais competitiva. Portanto, é comum que os profissionais acabem por se orgulhar do elevado nível de estresse de suas profissões. Se você está em um ambiente tóxico, que promove a valorização do estresse, tome cuidado para não acabar esgotado. Cuide-se bem!

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Elisângela Dias
Elisângela Dias
Graduada em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Estácio de Sá em 2004. Pós graduada em Gestão de Projetos pela Universidade Cândido Mendes em 2007.